Fumo passivo causa sérios danos ao organismo

Fonte: Paraná Online

Há muito tempo, estudos epidemiológicos têm mostrado que o fumo passivo é perigoso, mas até agora eles nunca tiveram testes biológicos conclusivos para demonstrar suas consequências para o corpo, quando se fala nas funções dos genes.Estes genes, comumente ativados nas células dos fumantes, também são acionados em naqueles que sofrem baixa exposição à fumaça. Segundo pesquisadores, a exposição, mesmo que em baixos níveis, à fumaça do cigarro pode aumentar o risco futuro de doenças de pulmão, assim como câncer e doença pulmonar obstrutiva crônica. “Encontramos efeitos diretos no funcionamento dos genes dentro de células que revestem as vias aéreas”, explica o cientista Ronald Crystal, chefe do estudo.

Crystal e sua equipe testaram 121 pessoas em três categorias distintas: não fumantes; fumantes ativos e aqueles levemente expostos à fumaça dos fumantes. Para determinar a categoria de cada participante, os pesquisadores testaram os níveis de nicotina e cotinina na urina – indicadores do consumo de cigarro no corpo. “O efeito genético é muito menor do que em fumantes regulares, mas isso não quer dizer que não possui consequências capazes de prejudicar a saúde. Certos genes dentro de células que revestem as vias aéreas são muito sensíveis à fumaça do tabaco e, as mudanças na função destes genes são as primeiras evidências de doenças biológicas nos indivíduos”, explica o cientista.

Os cientistas escanearam o genoma completo de cada pessoa para determinar quais genes eram ativados ou desativados nas células das vias aéreas. Eles descobriram que não havia nenhum nível de nicotina ou cotinina que também não se correlacionasse com anomalias genéticas. “Isso significa que nenhum nível de tabagismo ou exposição ao fumo passivo é seguro”, diz Crystal. O pesquisador atesta que esta é mais uma evidência que reforça a proibição do fumo em lugares públicos, onde não fumantes e empregados dos estabelecimentos que permitem o fumo estão sob maior risco de futuras doenças de pulmão.

Fumo passivo e sinusite crônica

Outro estudo recente, da Universidade de Brock, no Canadá, mostra que o fumo passivo é o responsável por cerca de 40% dos casos de sinusite crônica nos Estados Unidos. Esta doença é marcada por inflamação na cavidade nasal e nos seios da face, evolvendo coceira, coriza, congestão nasal e dores de cabeça.

Através do acompanhamento de não-fumantes que desenvolveram a doença e outros que não a manifestaram, os cientistas concluíram que os participantes mais expostos à fumaça do cigarro dos outros – principalmente no trabalho e em ocasiões sociais – triplicaram as chances de desenvolver a doença. O estudo revelou que a exposição ao fumo passivo do grupo que desenvolveu sinusite era de 13% em casa, 19% no trabalho e 51% em encontros sociais privados, o que certamente influenciou no quadro clínico dos participantes.

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